Meu pai me ensinou a ser tricolor e ensinou muito bem, obrigada. Foi velado e cremado com a camisa do Flu, que havia ganhado de natal de mim mesma, e uma bandeira do seu time querido. (O velório teve até direito a FLAxFLU!)
Na falta de palavras, tiro do baú um texto que eu escrevi para o meu antigo (pseudo-falecido) fotolog. Escrevi no dia seguinte que o Fluminense foi campeão da Copa do Brasil em 2007, dia esse que reacendeu em mim a chama tricolor que nunca tinha se apagado de verdade.
Continuo tendo estômago fraco e detestando aquelas conversas pentelhas de "meu time é melhor que o seu", mas, depois do texto abaixo, assisti a muitos jogos e nunca mais me perdi na situação do meu time nos campeonatos.
Ainda vou precisar de um tempo para voltar a ver os jogos, mas estou acompanhando com fervor as vitórias do tricolor que está na liderança do brasileirão.
Aliás, me conforta saber que uma das últimas coisas que meu pai viu foram os minutos finais do 3x1 sobre o Atlético-PR, em 31/07. Vercermos esse campeonato seria a homenagem perfeita ao Careca! Até meu irmão flamenguista vira-casaca mencionado abaixo está torcendo esse ano!

(07/06/07)
"Nasci tricolor.
Vou dizer que não tive opção, por ter pai e mãe tricolores de coração, mas não é bem verdade. Meu irmão virou casaca e ninguém o deserdou por isso (se bem que quase...).
Quando eu digo que tenho pai e mãe tricolores, muita gente pode pensar que é um daqueles casos em que a mulher se casa e assume o time do marido, apesar de não entender nada de futebol e não ter realmente amor ao time. Não é esse o caso, eu lhes garanto. Minha mãe sabe SIM de futebol (teve até cargo de chefia no jornalismo esportivo) e era tricolor bem antes de conhecer meu pai. No máximo pode-se dizer que foi um fator de compatibilidade que colaborou com a junção do casal.
Isso me remete novamente ao fato que eu NASCI tricolor. Em tal ocasião, tanto minha mãe quanto meu pai (que também trabalhou no jornlismo esportivo por muitos anos) trabalhavam no esporte juntos. Minha mãe ostentava sua enorme barriga de grávida pelos corredores da Rede Globo, no Jardim Botânico, e aí eu nasci, de fato.
Em 9 de Dezembro de 1985 vinha mais uma "tricolora" ao mundo. Alguns dias depois, meu pai foi me registrar no cartório. Nesse mesmo dia o Fluminense foi Tricampeão Carioca. Incrivelmente, isso foi relacionado a mim e a minha vida inteira meu pai me considerou seu pé de coelho para os jogos do Fluminense.
Foi-se o tempo que eu ia freqüentemente ao estádio das Laranjeiras (maravilhosamente perto da minha casa) com meu pai, para assistir tantos jogos e torcer com vontade. Eu cresci, meu estômago ficou fraco e agora eu quase não agüento mais assistir os jogos do Fluminense. O nervosismo me mata. Às vezes eu sento no sofá da sala com meu pai, quando está passando algum jogo, mas em 15 minutos a ansiedade me vence eu decido que é melhor ir ler um livro. Mas fico de ouvido atento às reações do meu pai e sempre pergunto o resultado depois. Se bem que normalmente não é preciso: meu pai aparece no meu quarto a cada gol do Fluzão e no final do jogo, pra me passar o placar e os comentários pessoais dele sobre o jogo.
Acho que o que eu estou querendo dizer é que, apesar do meu estômago fraco, assistir o jogo de ontem foi inevitável, mesmo estando sozinha em casa (meu pai foi assistir no Lamas) e a emoção, mais inevitável ainda!
Mas não vão pensando que eu só ligo pro meu time porque ele foi campeão. Torcedor que é torcedor não foge da raia porque o time está numa fase ruim. Quando o Fluminense foi pra terceira divisão eu tirei minha camisa do armário, vesti-a e saí na rua. Só digo que fui cumprimentada e até aplaudidas pelos passantes, inclusive os que não eram tricolores.
Ao final do jogo, com meus olhos cheios d’água, tanto meu pai quanto a minha mãe me ligaram me dando os parabéns, como eles fizeram minha vida toda, como se eu fosse de alguma forma responsável pelo título.
Acordei de manhã e meu pai já tinha ido viajar no feriadão, mas deixou isso aí em cima pra eu ver e um bilhete, com os telefones de contato dele nesse feriado e dizendo que a minha vó (que depois que meu vô, tricolor de coração também, morreu, não perde UM jogo do Fluminense) chorou de emoção ao falar com ele ao telefone depois do jogo.
Isso é a minha família. Se bobear, eu ainda vou achar algumas veias de sangue verde e branco pra combinar com o grená.
P.S. NENSEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!
P.P.S. Nesse exato momento alguns urubus estão tentando invadir a minha casa. Será inveja?
P.P.P.S. Pensaram que eram flamenguistas? Não. Urubus de verdade, com bico e penas e que estão voando MUITO mais perto da minha janela do que jamais voaram."
1 reclamações:
Não tenho reclamação não, é só um comentário mesmo... hahahaha
Muito bem por reeditar o seu blog! E reeditar esse post, apesar de tricolor.
Uma bela homenagem ao seu pai! :)
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