Quando os ventos de mudança sopram,
umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.
Érico Veríssimo
Nesse agosto, que fez juz à sua fama, os ventos de mudança levaram meu pai, com quem eu morava há 7 anos e em quem eu me apoiava em tudo do mundo prático.
Muito se fala das consequências emocionais, psicológicas e espirituais de perder um pai. Mas e as consequências práticas? Se isso acontece quando estamos mais velhos e já temos estabilidade e independência financeiras, elas são poucas; no máximo uma herança, que pode não significar muito no quadro geral. Esse, definitivamente, não era o meu caso.
Meu pai fazia supermercado, pagava as contas, consertava o que quebrava, era titular do meu plano de saúde, pagava meu curso da PUC e até declarava meu imposto de renda.
Já há uns meses eu tinha me contagiado com o vírus da independência e estava louca para sair de casa e montar minha vida, mas sabia que, pelo menos esse ano, isso seria impossível. Não teria disponibilidade para arrumar um trabalho que pagasse o suficiente para eu me sustentar.
Eu gostaria muito de poder usar esse momento para dar o meu salto para a independência, mas as mesma restrições que me impossibilitavam de fazer isso 6 meses atrás ainda existem. Então, por enquanto, meu moinho de vento vai ter que ser outro, e ele se chama Mamãe. Ela está vindo morar comigo pelos próximos meses, até que eu, finalmente, possa tirar a rodinha da bicicleta.
Mas isso não significa que vou continuar na mesma situação do que antes, substituindo um pai por uma mãe. Vou ter que aprender a declarar meu imposto de renda e a fazer muitas outras coisas para manter esse apartamento. E eu sei que tenho muito o que aprender.
Me desejem boa sorte.

2 reclamações:
Boa sorte, Marina! :)
A vida é assim, sempre traz mudanças, por distintas razões...
Antes de eu vir pro Chile, era a minha mãe quem fazia quase tudo. Hoje em dia eu pago contas, declaro impostos, faço supermercado, faxino a casa, cozinho... e até comprei ferramentas para consertar pequenas coisas! hehehe
Você está certíssima! Aproveite para ir aprendendo essas coisas antes de tirar a rodinha da bicicleta! :)
Querida Sorela! A vida não é moleza!Digo para os meus alunos que não é um pudim de leite...Para minha pequena irmã digo que não é moleza não ter pai. O meu coração está apertadinho junto com o seu. Em relação a vida e a independência o que posso te dizer é que até agora eu continuo nessa peleja. A vida é caminho...É batalha... e não é chegada. A chegada é a partida e a partida é a chegada.Tudo se mistura, e o que nos resta é transformar essa mistura em um bonito bolo e cantar parabéns para cada ano que passa e comemorar: Estamos vivos! Viver é lindo! Amar também!Te amo! Estou aqui para te fazer massagens e te dar carinho! Coragem!Os desafios são muitos e a peleja é eterna. Aqui e fora da terra!
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